NOTÍCIAS » SEM RESPOSTAS SOBRE 13º, POLICIAIS FECHAM DETRAN DA GAMELEIRA NOVAMENTE

Um novo protesto de servidores da Polícia Civil de Minas Gerais interrompeu os serviços do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG) na manhã desta segunda-feira (17). Esta foi a segunda mobilização dos agentes, que protestam contra a escala de pagamento do governo do Estado e a falta de informações sobre o 13º salário. A primeira foi no dia 10 de dezembro.

A unidade do Detran que teve serviços interrompidos é a da Gameleira, na região Oeste de Belo Horizonte, onde são feitos serviços de registro de automóveis. A ocupação é resultado de um edital conjunto publicado por vários sindicatos que representam a categoria.

Aline Risi, diretora do Sindicato dos Escrivães de Polícia de Minas Gerais (Sindep-MG) e da Confederação Brasileira dos Trabalhadores Policiais Civis, contou que as três portarias do local foram fechadas e houve filas de pessoas que iriam realizar algum serviço nesta segunda-feira. "Chegamos por volta das 8h com nosso carro de som e estamos nos mobilizando aqui até que tenhamos um posicionamento do governo sobre nossos salários. A intenção é fechar uma unidade policial a cada dia até que cheguem respostas", detalhou.

A sindicalista ainda afirmou que a impressão dos servidores é de que o governo está enrolando os funcionários. "Na semana passada foi prometido que teríamos uma posição sobre o 13º na sexta (14), mas agora remarcaram para quarta e podem muito bem adiar de novo". De acordo com Aline, ainda haveria um rumor entre os servidores de que o 13º seria parcelado em seis vezes.

Dentro do Detran-MG, os funcionários administrativos também paralisaram e participam da mobilização prevista pelo Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público do Estado de Minas Gerais (Sindpúblicos-MG), cuja base abarca servidores administrativos de todas as áreas do funcionalismo estadual. O Sindpúblicos-MG como um todo deve paralisar os demais servidores a partir de terça-feira (18), segundo o diretor político do sindicato, Geraldo Henrique.

A Polícia Civil e o Detran-MG se posicionaram afirmando que "respeitam os direitos de seus servidores e já estão tomando as medidas cabíveis para que o atendimento aos cidadãos mineiros não seja prejudicado".

Cerca de quatro horas após o início do protesto, os servidores voltaram ao trabalho e o Detran retornou o atendimento.

Outro lado

Carlos Calazans, chefe de relações trabalhistas e sindicais do Governo de Minas Gerais, é quem vem negociando diretamente com os sindicatos e tem a presença aguardada pelos policiais mobilizados em frente ao Detran. Segundo ele, a promessa feita na última paralisação foi cumprida. "Prometi que conseguiria o pagamento de mais R$ 2 mil antes do Natal e consegui, todos vão receber na sexta-feira (21)", disse se referindo aos profissionais da segurança pública e das emergências, hospitais e Hemominas. "O esforço, agora, é para conseguir essa parcela também para o restante do funcionalismo. É provável que eu vá até lá para atender a demanda e não prejudicar a população, mas não terei nada novo para oferecer", afirmou.

Sobre o 13º, Calazans reiterou que só terá um posicionamento oficial na quarta-feira (19), para quando está marcada uma reunião entre autoridades do Estado e lideranças sindicais para decidir sobre o assunto. "As equipes técnicas estão fazendo todo o esforço para acompanhar o fluxo de caixa e trazer respostas sobre o abono, que nós sabemos ser um direito de todos que trabalharam durante o ano todo, se esforçaram e merecem esse dinheiro". Quanto ao rumor sobre o parcelamento em seis vezes, o assessor afirmou que se trata apenas de especulação, uma vez que os recursos para o pagamento ainda estão sendo buscados.

Adiamento

Marcada para a última sexta-feira (14), a reunião que traria respostas aos servidores sobre o pagamento do 13º salário foi adiada e remarcada para a próxima quarta-feira (19). A justificativa do governo foi a falta de definições acerca do fluxo de caixa do Tesouro Estadual.

Após o adiamento, várias forças sindicais se manifestaram e anunciaram ações para cobrar o pagamento dos vencimentos. O Sindpúblicos-MG foi um dos que anunciou a possibilidade de paralisação. Segundo Geraldo Henrique, diretor político do sindicato, setores como Educação, Segurança e secretarias devem ser afetados pela greve dos funcionários administrativos, cuja previsão de início é para esta terça-feira (18).

Outro sindicato que se posicionou contrário ao adiamento foi o Sindicato dos Servidores da Polícia Civil (Sindpol). Zé Maria de Paula, presidente da organização, afirmou que já esperava a atitude e se preocupa com a transição entre os governos. "O governo está brincando conosco, estamos de olho nisso, tinha o compromisso de pagar o salário em duas vezes, agora parcelou em três. Imagina se chega dia 28 e ele não paga a terceira parcela, dia 2 ele também não paga porque já será outro governo", protestou.

Entre os policiais militares, o sentimento também é de revolta. Nas palavras do sargento Marco Antônio Bahia, presidente da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra), "mais uma vez nossa categoria está frustrada com o governo que insiste em parcelar o nosso salário e mais uma vez adia o anúncio sobre o 13º. Criamos uma expectativa muito grande sobre esse anúncio e agora a tropa está em polvorosa". O líder da associação, entretanto, disse que não há nenhum movimento para paralisação dos serviços. "Vamos continuar trabalhando na esperança de que o governo resolva essa situação para que continuemos servindo o povo mineiro".

Daniele Franco
dfmoura@hojeemdia.com.br
17/12/2018 - 11h17 - Atualizado 16h29

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